
Em finais de 2019, o trio de música instrumental Frontrezz recebeu apoio da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu para realizar uma série de cinco shows com cantoras e instrumentistas de destaque na cena musical nacional. A pandemia interrompeu o projeto em sua fase inicial de realização, e as restrições impostas para conter a propagação da Covid-19 levaram a reformulação criativa da proposta inicial. Ao invés das lives e afins, decidiu-se concentrar esforços na criação de uma obra híbrida, na qual diferentes linguagens artísticas pudessem convergir à distância.
O ponto de partida foi a elaboração de uma canção, composta por Gabriel Rezende em parceira com Walter Garcia, arranjada para potencializar as diferentes qualidades musicais das artistas convidadas: Léa Freire, Lenna Bahule, Lívia Nestrovsky e Joana Queiroz. Inspirada na figura da artista norte-americana Esperanza Spalding, a letra tematiza um corpo que se tece na escura luz de um dia que desponta no horizonte. O processo de produção da canção foi acompanhado pela criação da animação. Nela, Davi Fuzari e Ulisses Tavares desdobram as imagens evocadas na poesia e, ao mesmo tempo, coloca em primeiro plano as figuras femininas que participaram da gravação.
A canção e a videoarte inspiraram a pintura homônima de Cleise Vidal. Em contraponto com a ambientação “noir” predominante na produção audiovisual, o quadro explora a luminosidade do corpo negro cantado por Lenna Bahule.
Assim, canção, videoarte e pintura formam um conjunto autorreferencial de linguagens artísticas, um ponto de encontro na trajetória de vários artistas.